Porque é preciso amar. Amar sem medidas, sem arestas, sem porquê. Não esse amar vazio de sentido e de verdade. Amar de mostruário, pronto e fora de alcance. Mas um amar inevitável, extenso, sublime. Livre dos medos e preso na riqueza das pequenas coisas. Amar de quem se pega sorrindo sozinha por não encontrar a resposta de tanto sentir gratuito. Amar de graça, sim. Porque a maldade é cara demais. Amar essa aquarela bonita que teima em se jogar na vida de quem acredita. Vida pintando subidas e descidas, tropeços e recomeços como se fôssemos sua tela mais reciclada. Arte inacabada, pueril. Isenta de analogias. 

Amar as tardes que chegam repletas de leveza, como se pudessem nos tirar das costas os pesos acumulados desde o amanhecer. Amar a noite finda que promete um dia novo, febril, pronto pra ser gasto com teu melhor sorriso e a gratidão bonita por fazer parte desse azul. Amar sorrateiro que se instala como inspiração. Subordinado do correr das horas, dependente das minúcias para sobreviver. Amar fincando passos e brilho de saudades. Como se fôssemos peças de souvenir. Um amar obsoleto em tempos de brevidades. Um amar bem-vindo. Que só se percebe quando transformado em sorriso, desses que dão novos traços a nossa feição. Um amar que nos faça melhor só de habitá-lo por dentro, sublime. E que nos faça mais justos aos propagar suas notas. 

Amar a passos largos, peito aberto, palavras escancaradas e faíscas na alma. Um amar que transborde. Amar enfim, sabendo que o mundo tem gente cinza que nem fumaça, injustiças de todos os tamanhos e armadilhas por todos os lados. E que tem vozes e tem bandeiras. Tem força e resistência. Tem beleza nas trincheiras. Um amar genuíno. Que justifique os compassos do coração e nos livre da covardia que é desistir de sonhar. Porque é preciso coragem. 

yohana sanfer

Desconfio que a vida nos oferece oportunidades de sermos bons o tempo todo, nós é que demoramos a entender ou fracassamos em aceitar. 

Desconfio que somos desafiados a usar nossos talentos para o bem comum, muito mais vezes do que podemos contar, mas poucas vezes dispomos a arriscar. 

Desconfio que o mundo poderia ser bem melhor se houvesse mais música, mais doações de sangue, mais leituras e flores colhidas e oferecidas… mas nem sempre estamos prontos a ofertar. 

Desconfio que fazer o bem está mais perto do que imaginamos, mas poucas vezes somos solícitos o bastante para doar nosso tempo e nosso talento em prol de alguém. 

Desconfio que a vida não nos pede muito, apenas aquilo que podemos dar, mas muitas vezes desistimos das possibilidades em nome da comodidade. 

Desconfio que para fazer o bem não preciso esperar que ninguém venha atrás de mim, é comigo que preciso contar, é através do meu esforço que posso realizar. 

Uma prece, um livro lido no meio da tarde, uma carta escrita à mão. Uma visita inesperada, uma doação de sangue, uma música de bom dia. Um elogio, um abraço, um sorriso. Uma gentileza, um ato de paciência, uma ajuda financeira, um aperto de mão. 

Tudo são bênçãos, possibilidades de fazermos “alguma coisa”. Tudo são presentes, oportunidades de “fazer o que pode, sempre que pode…” 

fabíola simões

Tem coisas que não entendo, não explico, apenas sinto. Você já viveu isso? Já percebeu que as melhores escolhas que você faz na vida são aquelas que você deixa um pouco os pensamentos, a razão de lado, e apenas observa onde seu corpo e sua alma melhor se encaixam? Quando você não sabe o que fazer, mas aprende a silenciar a mente, a se dar um tempo e a ver onde naturalmente seu ser se sente mais à vontade. Acho que o melhor lugar no mundo é onde a gente cabe inteiro. O pensamento pode não entender, pode até querer contradizer, o ego vem dar opiniões incisivas, mas se a gente deixa a vida ir tomando forma sozinha, se transformando, se ajeitando, nos conduzindo, a gente entra no nosso fluxo natural, de onde nunca deveríamos ter saído. Eu gosto de exercitar minha intuição em tudo, em todas as decisões, desde a roupa que vou vestir hoje, até numa escolha profissional ou de relacionamento pessoal. Acredite ou não, existe uma força maior do que a razão que move a gente. E quando você aprende a deixar isso crescer, por mais louca que possa parecer a escolha, o passo, a vida vai fazer mais sentido e ficar mais coerente. Como acessar essa força? Apenas sinta na pele. Que roupa cai melhor de olhos fechados, sem pensar na opinião dos outros? Que pessoa, amigo, amante, encaixa do seu lado sem dor, sem luta? Que comida entra melhor no seu corpo? Que profissão, situação você flui naturalmente, sem interpretação, sem persuasão, sem máscaras? No final do dia escolha ficar perto de alguém que te dissolve, nem que seja você mesmo a sua melhor companhia. Escolha o conforto de vestir a própria pele. Escolha pelo cheiro, pelo tato, pelo sorriso fácil, pela vontade involuntária. Escolha o contato que se ajusta, a conversa que relaxa, o caminho de vida que foi feito pra você e estava só esperando a sua ficha cair. 

clara baccarin
... ironize-se!!!


Não leve a vida tão a sério que isso pode fazer desandar a massa dos dias. Pode ser que fique difícil de acordar de manhã com a chatice do despertador, pode ser que vire um porre ver a própria expressão sisuda e grave num espelho que não sabe fazer piadas. Pode ser que suportar a própria companhia vire um fardo. Não leve a vida tão a sério, dê risadas das pequenas tragédias, deboche com coragem, ironize os dramas. Há sempre um lado cômico nesse monte de merda a sua volta. Veja que essa postura ereta, esse nariz empinado, esse andar apressado transformam sua vida num roteiro cinza e fastidioso. Não se leve tão a sério, se permita brincar, rir da própria cara, com amor, mas com senso de humor. O papel de vítima é fácil, mas é tão manjado, já nem chama mais a atenção, se era essa a sua secreta intenção. Antes de reclamar do sapato, tire-o, antes falar mau de tudo e todos, olhe-se, antes de listar tudo que te pesa, dê uma risada alta, sem razão. Melhor ser um palhaço, explorar as próprias dores como uma piada, melhor contar as próprias desgraças pela veia cômica. Debochar do absurdo. Porque a mesma coisa que te fez chorar pode ser um bom assunto para uma mesa de bar. Porque o legal de se ferrar é ter a cara lavada para contar e chocar essa gente parca. É muito bom vestir as carapuças escancaradamente, e assim, sem querer querendo, convidar as pessoas a despirem as próprias máscaras. O mundo está precisando de gente que explora e expõe isso que é chamado do nosso lado ridículo. Que esse baile de gala dos sérios é muito sem expressão e causa no mínimo bocejos. Admiro mesmo o sarcástico, o irônico e o debochado. Quem não passa pela vida ileso. A gente já sabe falar mal de todo mundo tirando sarro, do governo ao companheiro de trabalho, está na hora de fazer o mesmo consigo mesmo. E isso não é auto-bulling, é tirar o peso. É levar a vida numa leve. Experimente rir de si mesmo. Pode salvar uma alma!

clara baccarin

E a gente só evolui assim - sobrevivendo aos cansaços, vencendo as guerras interiores, restaurando os sonhos que se perderam no caminho, reconquistando o vigor pela vida, percebendo milagre na mudança. Transformar-se requer paciência e cuidado consigo mesmo!

vitor ávila

Fé que move montanhas, desperta a coragem, faz o impossível chegar ao alcance das mãos. Fé que fortalece, aprimora a tolerância e ensina o valor da compreensão. Fé que acalma, faz a venda dos olhos cair e direciona passos atordoados. Fé que acalenta as aflições e sopra baixinho novos caminhos de esperança. Fé que me habita, me sustenta e me faz crer no melhor. Sempre.

marcely gastaldi

Dizem que devemos amar quem não quer nos mudar, mas acredito que o amor seja ainda mais simples. O amor vê oportunidades. 

O amor tem prazer em enxergar o diferente, a mudança, o que não é igual ao nosso mundo. O amor vê ali uma oportunidade de aprender, em somar e contribuir. O amor nos tira da nossa zona de conforto, nos faz crescer, arriscar, mudar o ângulo e ver. Ver muito além. 

Muitas vezes batemos na tecla de que é difícil lidar com as diferenças das pessoas e, eu não digo que não é – realmente é. Mas, digo que há beleza. Há beleza além do que podemos ver, entender ou enxergar. Há beleza e um mundo novo de descobertas e maneiras de ver a vida, através de outro alguém. De outra vida. Do mundo. De um amor.

isa ribeiro
... oração do amor próprio!!!


Que eu saiba primeiro me encontrar, antes de me doar. Que eu possa respeitar os meus próprios limites e aprender a dizer não quando essa é a minha real vontade e direção. Nos erros que cometo, que eu possa me olhar com todo amor e compaixão, pois sei que faço e dou o meu melhor, que eu aprecie a autogratidão. Em cada alegria celebro a grandeza de ser quem sou, sem querer ser uma imagem que pintaram de mim, esse tempo acabou. Com carinho eu me cuido e me amparo a cada passo, a cada queda. Sei que minha força se refaz no meu tempo, e nele meu coração celebra. Que eu não me critique ou me culpe, drenando assim minha própria energia. Que eu saiba respeitar o meu tempo de florescer a cada dor, que eu possa também me permitir a alegria. Que antes de eu cuidar do outro, eu olhe para a minha vida, regue o meu jardim para que a doação não me deixe um buraco e eu me sinta depois dolorida. Que eu não abandone a mim mesma, esperando que alguém venha me salvar, ao invés disso que eu saiba me olhar com amor e me curar. 

fabíola simões
a vida é muito curta para ser pequena!!!


Cuidado, a vida é muito curta para ser pequena. É preciso engrandecê-la. E, para isso, é preciso tomar cuidado com duas coisas: a primeira é que tem muita gente que cuida demais do urgente e deixa de lado o importante. Cuida da carreira, do dinheiro, do patrimônio, mas deixa o importante de lado. Depois não dá tempo. 

A segunda grande questão é gente que se preocupa muito com o fundamental e deixa o essencial de lado. O essencial é tudo aquilo que não pode não ser: amizade, fraternidade, solidariedade, sexualidade, religiosidade, lealdade, integridade, liberdade, felicidade. Isso é essencial. Fundamental é tudo aquilo que te ajuda a chegar ao essencial. Fundamental é a tua ferramenta, como uma escada. 

Uma escada é algo que me ajuda a chegar a algum lugar. Ninguém tem uma escada para ficar nela. Dinheiro não é essencial. Dinheiro é fundamental. Sem ele, você tem problema, mas ele, em si, não resolve. Emprego é fundamental, carreira é fundamental. O essencial é o que não pode não ser. Essencial é aquilo que faz com que a vida não se apequene. Que faz com que a gente seja capaz de transbordar. Repartir vida. Repartir o essencial, a amizade, a amorosidade, a fraternidade, a lealdade. Repartir a capacidade de ter esperança e, para isso, ter coragem.

Coragem não é a ausência de medo. Coragem é a capacidade de enfrentar o medo. O medo, assim como a dor, é um mecanismo de proteção que a natureza coloca para nós. Se você e eu não tivermos medo nem dor, ficamos muito vulneráveis. Porque a dor é um alerta e a dor nos prepara. É preciso coragem para que a nossa obra não se apequene. 

E, para isso, precisamos ter esperança. E, como dizia o grande Paulo Freire, “tem de ser esperança do verbo esperançar”. Tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. “Ah, eu espero que dê certo, espero que resolva, espero que funcione.” Isso não é esperança. Esperançar é ir atrás, é se juntar, é não desistir. Esperançar é achar, de fato, que a vida é muito curta para ser pequena. E precisamos pensar se estamos nos dedicando ao importante em vez de ao urgente. Tem gente que diz: “Ah, mas eu não tenho tempo”. Atenção: tempo é uma questão de prioridade, de escolha. 

Quando eu digo que não tenho tempo para isso, estou dizendo que isso não é importante para mim. Cuidado, você já viu infartado que não tem tempo? Se ele sobreviver, ele arruma um tempo. O médico dizia “você não pode fazer isso, tem de andar todos os dias”. Se ele infartar e sobreviver, no outro dia você vai vê-lo, às 6 horas da manhã, andando. Se ele tinha tempo, que ele teve de arrumar agora, por que não fez isso antes? Você tem tempo? Se não tem, crie. Talvez precisemos rever as nossas prioridades. Será que estamos cuidando do urgente e deixando o importante de lado? Será que não estamos atrás do fundamental, em vez de ir em busca do essencial? E assim, contribuir com meu verso! 

mario sergio cortella
apenas insista em mim!!!


Não se concentre tanto nas minhas variações de humor, apenas insista em mim. Se eu calar, me encha de palavras, me faça querer dizer outra e outra vez sobre você, sobre nós, e todo esse amor. Se eu chorar, não me faça muitas perguntas, não precisa nem secar minhas lágrimas. Só me diz que você continuará comigo pra tudo, que tenho teu colo e teu carinho. E ainda que te doa me ver assim, me envolva nos teus braços e diga que eu posso chorar, mas que você não sairá dali enquanto eu não sorrir. Porque é isso que nos importa, não é? O sorriso um do outro. Não é? 

caio f. abreu
oração da autoresponsabilidade!!!


Eu abençoo cada pedaço da minha vida, quem foi, quem está e quem partiu dela. Entendo que a vida flui melhor quando a gente não cria muitas expectativas, quando não se espera. Paro de culpar e me desfaço do ataque ao outro e a mim mesma, sei que assim meus passos são tomados pela leveza. Abro as portas para a autoresponsabilidade ser meu guia em minhas atitudes, não dou a ninguém o meu poder pessoal, sabendo que sou a única responsável pela minha completude. 

Que eu não permita que a fúria da mágoa faça moradia em mim, apontando o dedo para um suposto vilão, porque sei que cada um tem que aprender no seu tempo a sua própria lição. Que por onde eu for, o amor me guie e que o menos possível eu com o ego me identifique. Que eu possa confiar no poder infinito que tem minhas próprias asas, tendo a consciência de que tudo chega a mim por compatibilidade de alma. 

Então eu me liberto das prisões e liberto a todos que também acorrentei. Me perdoo sinceramente, por cada ato inconsciente. Abraço todas as minhas possibilidades e recebo cada momento como um verdadeiro presente que eu tenho a responsabilidade de abrir e fazer florescer tudo aquilo que eu escolher. Que a cada passo eu me responsabilize pelas minhas lágrimas e sorriso, que a cada dia eu reinvente o meu próprio paraíso. Que assim seja e assim é. 

fabíola simões
... fome de alegria!!!


Freud disse que são duas as fomes que moram no corpo. A primeira é a fome de conhecer o mundo em que vivemos. Queremos conhecer o mundo para sobreviver. Se não tivéssemos conhecimento do mundo à nossa volta saltaríamos pelas janelas dos edifícios, ignorando a força da gravidade, e colocaríamos a mão no fogo, por não saber que o fogo queima. 

A segunda é a fome do prazer. Tudo que vive busca o prazer. O melhor exemplo dessa fome é o desejo do prazer sexual. Temos fome de sexo porque é gostoso. Se não fosse gostoso, ninguém o procuraria e, como consequência, a raça humana acabaria. O desejo do prazer seduz. 

Gostaria de poder ter tido uma conversinha com ele sobre fomes, porque acredito que há uma terceira: a fome da alegria. Antigamente, eu pensava que prazer e alegria eram a mesma coisa. Não são. É possível ter um prazer triste. A amante de Tomás, de A Insustentável Leveza do Ser, se lamentava: “Não quero prazer, quero alegria!”. 

As diferenças. Para haver prazer, preciso primeiro que haja um objeto que de prazer: uma caqui, uma taça de vinho, uma pessoa a quem beijar. Mas a fome do prazer logo se satisfaz. Quantos caquis conseguimos comer? Quantas taças de vinho conseguimos beber? Quantos beijos conseguimos suportar? Chega um momento em que se diz: “Não quero mais. Não tenho mais fome de prazer…”. 

A fome de alegria é diferente. Primeiro, ela não precisa de um objeto. Por vezes, basta uma memória. Fico alegre só de pensar num momento de felicidade que já passou. E, em segundo lugar, a fome de alegria jamais diz “Chega de alegria”. Não quero mais…”. A fome de alegria é insaciável. 

Bernardo Soares disse que não vemos o que vemos; vemos o que somos. Se estamos alegres, nossa alegria se projeta sobre o mundo e ele fica alegre, brincalhão. Acho que Alberto Caeiro estava alegre ao escrever este poema: “As bolas de sabão que esta criança se entretém a largar de uma palhinha são translucidamente uma filosofia toda. Claras, inúteis, passageiras, amigas de olhos, são aquilo que são… Algumas mal se veem no ar lúcido. São como a brisa que passa… E que só sabemos que passa porque qualquer cousa se aligeira em nós…”. 

A alegria não é um estado constante – bolas de sabão. Ela acontece subitamente. Guimarães Rosa disse que a alegria só em raros momentos de distração. Não se sabe o que fazer para produzi-la. Mas basta que ela brilhe de vez em quando para que o mundo fique leve e luminoso. Quando se tem alegria, a gente diz: “Por esse momento de alegria, valeu a pena o universo ter sido criado”.

rubem alves

Muitas vezes quando estou presa nas gaiolas que ainda me limitam, a minha lembrança voa e pousa em memórias que desenham em mim um sorriso bom. Quando percebo, eu sou toda aquele sorriso, como se cada célula, naquele instante, pudesse sorrir também. Não sei se isso acontece pela alegria que o meu coração experimenta nos lugares que visita ou simplesmente porque me dou conta de que há algo em mim que continua livre. Ainda que por tantos motivos eu me sinta enredada. Ainda que por tantos motivos eu desafine no canto que ofereço à vida e, de forma mais particular, no canto que eu me ofereço. 

Há algo em mim que não desaprende esse caminho. Que segue, quando, aparentemente, eu paro. Que continua a luzir, mesmo quando eu tropeço nas minhas sombras. Há algo em mim que me salva de mim. Que me leva pela mão para brincar, para conhecer o que continua vivo e belo além de toda e qualquer gaiola, além dos meus tempos de muda. Algo que me mostra uma paz intensa e verdadeira. Que não me deixa esquecer que continuo a ter asas, mesmo quando eu não voo. A memória, de alguma forma, me ajuda a lembrar de tudo isso, porque nunca desfaz a mesa onde eu posso me alimentar, sobretudo quando mais preciso, com lembranças perenes de amor. 

Quando acontecem situações como esta, eu percebo que somos o que sentimos a cada instante. Que somos o lugar, não importa onde estamos. Percebo, principalmente, que, por maiores que sejam os apelos externos, não precisamos nos limitar em gaiola alguma. Nem nas que criamos para nós nem naquelas que os outros, sejam lá por quais razões, querem nos prender. Ninguém precisa continuar a se sentir preso quando pode recordar com o próprio sentimento o quanto a vida pode ser mais fácil e amorosa, embora tantas vezes as circunstâncias tentem nos convencer do contrário. 

Eu sei que a memória também nos apronta surpresas desconfortáveis. Que, de vez em quando, ela nos põe em contato com lembranças que por nada nesse mundo queremos rememorar e que não existe nenhum botão que possa ser apertado para evitarmos esse encontro. Mas os benefícios que propicia superam os eventuais desconfortos. Recorro a ela várias vezes para me nutrir, mas não fico por lá além do necessário. No retorno, costumo voltar mais confiante. Ela me lembra de que tudo passa, mas que algumas dádivas conseguem transpor as aparentes cercas do tempo. Dádivas, por exemplo, como o amor compartilhado. 

ana jácomo

Que as mãos da vida te conduzam pelo melhor caminho. Que a vida acaricie os teus cabelos. Que a terra beije os teus pés. Que o sol te abrace. Que a chuva lave as tuas angústias. Que as estrelas mimem o teu sono. Que a paz sopre para longe as tuas dificuldades. Que a fé fortifique as tuas metas. Que a felicidade seja tua parceira. Que o amor te leve no colo. Que a tua obra seja maior que o teu sonho. Que tu sejas luz no mundo.

lígia guerra
... encontro de almas!!!


Uma das maiores bençãos que se pode ter na vida é estar livre da necessidade de se explicar. É um privilégio conhecer pessoas que conseguem te enxergar além da superfície. Que dispensam explicações. Simplesmente sabem quem você é. Tudo bem se você tiver errado. Não precisa falar que você não é assim, porque elas sabem. Não precisa explicar que você precisa dividir o que te angustia, pois essas pessoas pegarão suas dores através de um abraço. São elas que vão ligar em uma terça-feira sem graça só para perguntar como você está. Ou sentir quando você não está nos seus melhores dias. Às vezes elas te abençoarão com palavras e outras vezes te ensinarão com o silêncio. Seus risos refletem nos lábios delas e suas lágrimas machucam a elas também. Conseguir que te entendam depois de você se explicar é ótimo, mas fazer isso sem palavras é uma dádiva. Não são muitas as pessoas que vão realmente saber quem você é durante a vida. Agradeça se elas chegarem a ocupar os cinco dedos de uma mão. E geralmente, pelo menos uma dessas pessoas será nossa mãe ou nosso pai. Mas sinta-se abençoado se você tem alguém que entende seu olhar. Que te ama mesmo quando você se esquece das próprias virtudes. Quando você tem alguém que dispensa saber suas explicações, tenha sempre por perto. Alguns chamam de amor, outros de amizade. Eu desisti de encontrar definição, porque esse encontro de almas vai muito além da razão. 

fabíola simões

Mais importante do que ter razão, é ficar em paz. Mais importante do que saber do futuro, é doar energia feliz e forte para o agora. Mais importante do que resolver as equações matemáticas do destino, é se sentir profundamente entregue nesse passo. Mais importante do que saber o que é certo, o que é errado, é se sentir bem na fluidez do momento. Sentir que o coração está sereno nos acontecimentos. Mais importante do que se cobrar uma decisão, se posicionar numa situação, é relaxar para poder deixar a experiência fazer sentido. Mais importante do que se desesperar, ouvir conselhos, fazer tabelas, listas de prós e contras, introdução, análise e conclusão de uma história, é meditar para aprender a ouvir menos o cérebro e confiar que a própria natureza da verdade essencial também age em nós. Estou aprendendo a respirar na dor, a respirar no amor, a respirar nos invernos e nas primaveras. A deixar que o vento traga o que melhor se adapta nos caminhos desse coração destemido. Porque percebi que dor mesmo é ocupar espaços nos tempos errados, é respirar num ritmo artificial só para se enquadrar no compasso, é entrar de cabeça mas não de coração sereno. Dor mesmo é se adaptar ao mundo, aos preceitos, aos tempos, aos medos. Dor mesmo é agir para ganhar quando tudo que se precisa é sentir um pouco mais a perda. 

fabíola simões

Nunca pare de remar. Isso é saber olhar para si mesmo e se cuidar. Não deixe seu barco ir para onde a água quiser levá-lo. Tome você os remos e dê a melhor direção que puder dar. Cuide de seu interior e exterior. Seja vaidoso na medida e aprenda a se agradar. Faça terapia se puder, ore, medite, pratique algum esporte. Corte o cabelo e escove bem os dentes. De vez em quando escolha um perfume novo e varie o aroma do sabonete. Escute música, assista a bons filmes, viaje bastante. Use protetor solar e carregue sempre um livro na mala de mão. Beba com moderação e faça um brinde à vida quantas vezes puder. Escolha bem ao que vai assistir na tevê e não se desequilibre por pouca coisa. Tome uma xícara de café pela manhã e entregue seu dia a Deus antes de sair de casa. Reme, reme, reme… 

fabíola simões
... receita de paz!!!


Receita de Paz Há um sentido pra vida que se chama Amor. Ele resolve todos os problemas, é pena que nos demoramos muito para entender isso. O Amor está em tudo , sem ele não há paz ou progresso, tudo é dor e sofrimento, se analisarmos as dores da vida , vamos descobrir que em todas faltou o Amor , ele poderia ter solucionado tudo. O Amor se manifesta em tudo aquilo que promove o Bem entre as pessoas. Amar sempre essa é uma receita de paz.

E a gente tem mesmo é que se libertar do que nos deixa triste. Deixar de lado tudo o que não nos acrescenta. Porque o que não vier para o nosso lado com o intuito de trazer leveza, que tome o caminho de volta!... 

bibiana benites
... onde está a minha esperança?


Se eu souber onde mora a minha esperança, terei razões para viver e razões para morrer. E a vida ficará bela mesmo no meio das lutas. Sei muito bem onde minha esperança não está. Não está nos pobres, não está nos movimentos populares, não está no povo. Não está também na elites, sejam ricos ou doutores, intelectuais ou empresários. Não está em partido político algum, de direita ou de esquerda. E nem nos poderes legislativo, executivo, ou judiciário. Também não está nas igrejas nem nos movimentos religiosos. Não coloco minha esperança em coisa alguma que seja definida por categorias sociais. Olho para todas elas com profundo desinteresse. Jamais comprometeria a minha vida com qualquer delas. Onde está a minha esperança? Numa multidão de indivíduos, independentemente do seu lugar social ou econômico, que vivem possuídos pelo sonho da vida, da beleza e da bondade. 

A esperança de Camus estava no mesmo lugar que a minha: “Já se disse que as grandes ideias vêm ao mundo mansamente, como pombas. Talvez, então, se ouvirmos com atenção, escutaremos, em meio ao estrépito de impérios, e nações, um discreto bater de asas, o suave acordar da vida e da esperança. Alguns dirão que tal esperança jaz numa nação; outros, num homem. Eu creio, ao contrário, que ela é despertada, revivificada, alimentada por milhões de indivíduos solitários, cujos atos e trabalho, diariamente, negam as fronteiras e as implicações mais cruas da história. Como resultado, brilha por um breve momento a verdade, sempre ameaçada de cada e todo homem, sobre a base de seus próprios sofrimentos e alegrias, constrói para todos”

rubem alves